Terça-feira, 7 de Setembro de 2010

FRAGRÂNCIA

a fragrância do encanto

ensandecer

é o verbo primeiro

enraizei o tempo

sem espaço

sucumbo

andorinhas

catatónicas

catastroficamente

arraigam rizomas

aprumo dos sentidos

aprumo de sentidos

inconfundíveis sensos

na arte de discernir

heroicamente fuzilada

 

Edite Gil

(Registado no I.G.A.C.)

 

publicado por Edite Gil às 22:10
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RAIVOSAMENTE

apetece-me morrer raivosamente

o calor dilacera-me a alma como se fosse ácido e gela-ma!

as entranhas são enguias epilépticas

ordeno que parem

empalideço violentamente

apetece-me morrer raivosamente

a garrafa de whisky, em cima da cómoda, mira-me

lá fora as escuras ruas bifurcam-se velozmente

invisíveis os olhos dos transeuntes

acusam o desequilíbrio entre o céu e o inferno

aborrecido este vácuo de bruta agilidade

tento agarrar o sonho fugaz

já fiz o meu inventário

apetece-me morrer raivosamente

 

Edite Gil

(Registado no I.G.A.C.)

publicado por Edite Gil às 22:09
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CARÍCIA DOS LILASES

laços de afecto enraizei

nem tempo, nem espaço os atreve a atentar

confiado convívio

breve virão as andorinhas prevendo as flores

as flores que se abrem ao nosso entendimento

a rala e verde penugem recobre a terra

noticiando a Primavera

inconfundível chilreio

as canoras fazem filas nos fios da electricidade

como se numa gigante pauta

alguém houvesse escrito notas musicais

triunfantes aspergirão essências

embriagarão os sentidos

 

Edite Gil

(Registado no I.G.A.C.)

publicado por Edite Gil às 22:04
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NEM HÚMUS

Os minutos gatinham

são trôpegos no seu lentíssimo caminhar

recolho-me na colecção enfadonha de horas

crase do núcleo

espaço ínfimo, infinito de um ângulo raso

declínio da civilização

eu, nem húmus…

 

Edite Gil

(Registado no I.G.A.C.)

publicado por Edite Gil às 22:02
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SELVAGEM

Não permito sela

sou égua selvagem

bizarria

quando me transformo em abóbora

sem projecto de ilusão

ser projecto de ilusão

na partilha de momentos

os especiais

os maravilhosos

na essência sumária

não permito sela

sou égua selvagem

 

Edite Gil

(Registado no I.G.A.C.)

publicado por Edite Gil às 22:00
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FOLHAS OUTONÍVORAS

                        (deve ler-se nos dois sentidos)

 

o olhar veleiro

na certeza do rumo incerto

que em brumas de levante

confiam passagens

vaga que percorre e incólume deambula em mim

o tempo vegeta

vagueio

na esperança de rumar

limões de Novembro

que em delicado cansaço

no velho coração de estopa

não se deixa decepar

em burel tresmalhado

 

Edite Gil

(Registado no I.G.A.C.)

publicado por Edite Gil às 21:58
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ROSAS AMARELAS

estátua silenciosa e gélida

tal faustoso sepulcro antigo

assim aguardo...

pálida luz que entrecorta a escuridão…

ágil luar

no prateado dorso de um peixe

– luzente ladainha a da luz da lua –

esteira traiçoeira em que me recosto

aninho

e deixo embalar…

inflamar o peito

erro

no germinar das rosas amarelas…

 

Edite Gil

(Registado no I.G.A.C.)

publicado por Edite Gil às 21:55
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GRINALDA

em mim

ecoam as sedes do universo

um temeroso infinito de espuma

num divino cântico onde geme o anil…

perfumada harpa

solenemente tangida

em camélia que brota a lira do tempo

em rubi flor…

quase expira a grinalda ensanguentada…

 

Edite Gil

(Registado no I.G.A.C.)

publicado por Edite Gil às 21:48
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